Pacientes do SUS aguardam há pelo menos 6 anos por exames simples no RS

  • 24/04/2026
(Foto: Reprodução)
Pacientes do SUS aguardam há pelo menos 6 anos por exames simples Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) no Rio Grande do Sul esperam até seis anos para realizar exames simples, como hemograma e teste de ureia, fundamentais para o diagnóstico de doenças. A demora extrema tem obrigado muitos deles a buscar alternativas fora da rede pública, incluindo vaquinhas entre amigos e familiares, para conseguir atendimento e dar andamento a tratamentos e cirurgias. Para tentar reduzir o impacto dessa demora, alguns recorrem à solidariedade de amigos e parentes. Mas nem sempre conseguem juntar o dinheiro necessário. Em Rio Grande, no Sul do Estado, a secretária Thacylla Lopes Ignacio precisa fazer uma cirurgia de varizes. O problema é que, antes disso, ela deve realizar exames pré-operatórios que, na rede privada, custam pouco mais de R$ 400. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp “Há alguns anos eu sofro com varizes, desde muito nova. Com o tempo, elas começaram a me incomodar cada vez mais: inchaço, dores, dormência, formigamento nas pernas. No trabalho e durante a faculdade, exigia muita força, e isso foi trazendo ainda mais desconfortos”, diz. Se não fosse um documento oficial, seria difícil acreditar. Pelo SUS, os exames de sangue necessários para a cirurgia foram agendados para 1º de março de 2032. “É um absurdo. A gente sabe que saúde não é brincadeira. A gente não pode esperar tanto tempo. Talvez eu consiga esperar, mas tem pessoas que não conseguem esperar nem um ano”, reclama a paciente. Até lá, serão seis anos de espera. Nesse período, o Rio Grande do Sul e o Brasil terão passado por três eleições. O mundo terá assistido a duas Copas do Mundo e duas Olimpíadas. “Tem muita gente na mesma situação que eu. Seis anos… eu nem sei se vou estar aqui daqui a seis anos. Imagina ficar esperando tudo isso”, resigna-se Thacylla. Mesmo assim, o alívio é parcial. Depois dos exames pré-operatórios, ainda há a espera pela cirurgia completa, cuja data não está definida. Dados obtidos pela RBS TV, via Lei de Acesso à Informação, mostram que o tempo médio de espera para cirurgias vasculares no Estado é de quase dois mil dias. Em Porto Alegre, a diarista Serlei Cunha dos Santos enfrentou o mesmo drama. Um eletrocardiograma para a cirurgia de varizes nas duas pernas foi marcado para 12 de agosto de 2030. A saída veio por meio de uma vaquinha organizada por uma das famílias para quem ela trabalha, que arrecadou R$ 5.400. Com o dinheiro, Serlei conseguiu fazer os exames e operar a primeira perna. “Não é questão de estética. O que eu quero é ter condições de andar, de viver, de caminhar sem dor. Trabalhei a vida inteira, contribuí com o SUS. Se não trabalhar, não sobrevivo”, lamenta Serlei. A demanda por essa e outras especialidades continua crescendo, segundo monitoramento feito pela RBS TV via Lei de Acesso à Informação. Entre março e abril, a fila por consultas passou de 609 mil para 621 mil cadastros, e a de cirurgias, de 226 mil para 228 mil. Em Sapucaia do Sul, o construtor Vilmar de Freitas enfrenta uma longa espera de três anos para colocar uma prótese no quadril. A vaquinha organizada pela filha arrecadou menos de 10% do valor necessário. O dinheiro acabou sendo usado para contratar um advogado e ingressar na Justiça. “No psicológico, a gente precisa ter fé em Deus e o acolhimento da família. Senão, a casa cai.”, reclama. Desde dezembro de 2024, a reportagem monitora as filas do SUS no Estado e a evolução do quadro clínico de um grupo de pacientes como o Vilmar, que aguardam atendimento. A cada nova entrevista, a qualidade de vida cai. “Cada dia eu me definho mais. Estou perdendo o movimento das pernas, o equilíbrio”, lamenta Vilmar, sob lágrimas. O SUS é financiado por recursos de prefeituras, Estado e União. No Rio Grande do Sul, o governo historicamente não vinha aplicando os 12% da receita previstos em lei para a saúde, segundo revelou a RBS TV em janeiro de 2025. Em agosto do ano passado, um acordo com o Ministério Público estabeleceu a aplicação gradual desse percentual até 2030. Já os municípios afirmam gastar mais do que o mínimo exigido. “A conta hoje está desequilibrada. É preciso que União e Estado invistam mais em saúde, da mesma forma como os municípios fazem, para ampliar estruturas e capacidade de atendimento”, afirma Régis Fonseca, presidente do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde. A Secretaria Estadual da Saúde informa que já investiu R$ 175 milhões em mutirões, o que teria reduzido algumas filas. Ao ser informada que o hospital marcou os exames para março de 2032, a pasta disse que reinseriu a paciente na fila de espera para viabilizar o agendamento, previsto para agosto deste ano. A Secretaria Estadual de Saúde (SES) e o Ministério da Saúde se manifestaram por meio de notas (veja abaixo). O que diz a SES "A Secretaria Estadual da Saúde (SES) esclarece que a referência assistencial dos pacientes da cidade de Herval são os municípios de Pelotas e Piratini. No entanto, para buscar a antecipação do atendimento, a Central Regulação de Consultas redirecionou o caso para o Hospital Independência, em Porto Alegre. Ao ser informada que o hospital marcou os pré-exames de cirurgias para 1º de março de 2032, a Secretaria Estadual da Saúde reinseriu a paciente na fila de espera da sua região de referência para viabilizar, com a maior brevidade possível, o agendamento. Com isso, a nova consulta será realizada até agosto deste ano. A Central de Regulação de Consultas é o setor responsável por organizar e controlar o acesso da população aos serviços de saúde, analisando a prioridade clínica de cada caso e encaminhando os pacientes para os serviços disponíveis. Seu objetivo principal é garantir que os recursos do sistema sejam utilizados de forma eficiente, reduzindo filas, evitando desperdícios e assegurando que pacientes com maior urgência recebam atendimento no tempo adequado. Até março deste ano, somente pelo Programa SUS Gaúcho, o governo do Estado já investiu R$ 175 milhões. Por meio de mutirões realizados em dezenas de hospitais, alcançou resultados expressivos na redução das filas: a espera por consultas em oftalmologia, por exemplo, caiu 72%, enquanto a fila em ortopedia de joelho foi reduzida em 59%." Ministério da Saúde "Os valores da Tabela de Procedimentos do SUS funcionam como referência e integram um modelo tripartite, com recursos da União, Estados e Municípios, e podem ser complementados, conforme necessidade local. O Ministério da Saúde realiza atualizações periódicas da tabela com base em estudos técnicos e impactos orçamentários. Além da tabela, os gestores dispõem de incentivos financeiros, emendas parlamentares e programas específicos, que ampliam o custeio dos serviços de saúde. Nesse contexto, os recursos podem ser complementados tanto por iniciativas locais quanto por estratégias nacionais, como o Programa Agora Tem Especialistas, que busca reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias. Com orçamento de cerca de R$ 5,5 bilhões entre 2023 e 2025, o programa permite complementar os valores de referência e adotar modelos de remuneração que consideram custos ampliados e tecnologias assistenciais." Pacientes do SUS aguardam há pelo menos 6 anos por exames simples Reprodução/RBS TV VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/04/24/pacientes-do-sus-aguardam-ha-pelo-menos-6-anos-por-exames-simples-no-rs.ghtml


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