Família Aguiar desaparecida há 80 dias: VÍDEO mostra pai entrando na casa de filha minutos antes de sumiço

  • 17/04/2026
(Foto: Reprodução)
Família Aguiar desaparecida: pai entrou na casa de filha minutos antes de sumiço Um conjunto de provas técnicas reunidas pela Polícia Civil permitiu reconstruir parte da sequência de eventos que levaram ao desaparecimento da família Aguiar, que não é vista desde janeiro deste ano. Silvana Aguiar e os pais dela, Isail e Dalmira Aguiar, desapareceram entre os dias 24 e 25 de janeiro. O principal suspeito é o policial militar e ex-marido de Silvana, Cristiano Domingues Francisco. Ele e outras cinco pessoas foram indiciados na sexta-feira (17). Saiba mais abaixo. Entre as imagens analisadas e divulgadas pela Polícia Civil em coletiva nesta sexta-feira (17), um vídeo registra Isail em frente à casa da filha poucas horas antes de desaparecer. Câmeras de segurança mostram o pai de Silvana chegando à residência no domingo (25), por volta das 16h28, acompanhado de Cristiano. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp Àquela altura, Silvana já estava desaparecida. De acordo com o inquérito, Cristiano teria atraído Isail para a casa da filha simulando a voz dela com o uso de inteligência artificial. O vídeo registra o momento em que os dois descem do carro e se dirigem inicialmente à caixa de luz localizada junto à grade frontal do imóvel. Essa movimentação, segundo a investigação, estaria ligada ao enredo criado para atrair Isail até a casa, sob o pretexto de um suposto problema elétrico na residência. Família Aguiar desaparecida: pai entrou na casa de filha minutos antes de sumiço Divulgação/ Polícia Civil Ainda conforme a Polícia Civil, após alguns minutos na parte frontal da casa, Isail e Cristiano seguem para os fundos do imóvel, por onde era feito o acesso à residência. Cerca de 20 minutos depois, apenas Cristiano é visto deixando o local. Desde então, Isail não voltou a ser visto. A polícia afirma que esse é o último registro em vídeo do pai de Silvana com vida. Perícias realizadas na casa encontraram vestígios de sangue de Isail no local, o que, segundo os investigadores, reforça a conclusão de que ele teria sido morto dentro da residência. Na coletiva, os delegados destacaram que a análise das imagens, aliada a dados de geolocalização e outras provas técnicas, foi determinante para definir o momento do desaparecimento de Isail e sustentar o indiciamento pelos crimes, mesmo sem a localização dos corpos. Indiciamentos Família Aguiar: PM e outros 5 são indiciados pela Polícia Civil A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigava o desaparecimento de três pessoas da mesma família em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre, nesta sexta-feira (17). O policial militar Cristiano Domingues Francisco, principal suspeito, foi indiciado por feminicídio, dois homicídios triplamente qualificados e ocultação de cadáver. Além disso, o PM também foi indiciado por abandono de incapaz, falsidade ideológica, furto qualificado, fraude processual, falso testemunho e associação criminosa. Para a polícia, Silvana de Aguiar foi morta na própria casa e seu celular foi usado para atrair seus pais. Apesar das buscas, os corpos não foram localizados. Outras cinco pessoas também foram indiciadas: a atual esposa do PM, por fraude processual, ocultação de cadáver, furto qualificado e associação criminosa; o irmão dele, por fraude processual, ocultação de cadáver e associação criminosa; a mãe e a sogra do PM por fraude processual e associação criminosa; e um amigo do PM, por falso testemunho, fraude processual e associação criminosa. A polícia não divulgou a identidade do irmão do PM. No entanto, a reportagem apurou que se trata de Wagner Domingues Francisco. Em nota, a defesa de Wagner afirma que está à disposição das autoridades e que "as imputações até então divulgadas consistem, neste estágio, em meras hipóteses investigativas". Leia a nota completa abaixo. O espaço está aberto para a defesa dos outros indiciados. PM indiciado criou áudio falso com IA para enganar ex-sogros após sumiço da ex-mulher, diz polícia O inquérito A polícia aponta que a motivação do crime seria a disputa pela criação do filho do PM com Silvana, além de questões financeiras ligadas ao patrimônio da família Aguiar. De acordo com a polícia, o inquérito tem 20 mil páginas entre depoimentos, diligências, relatórios, extrações e quebras de sigilo, que resultaram em mais de 10TB de documentos. Foram 16 celulares apreendidos, 17 nuvens de documentos (e-mails), cinco DVRs, 13 pendrives, cinco computadores e quatro HDs. Além disso, houve cinco prisões, 14 mandados de busca e apreensão e 37 quebras de sigilo. Nas oitivas, foram interrogados 6 suspeitos, 34 declarações de testemunhas e uma escuta sem dano. Nesta semana, a perícia confirmou que o sangue encontrado na residência de Silvana pertencia a ela e ao pai dela. "Eu sei que se criou esse mito de que sem a presença dos corpos não há materialidade, mas, na verdade, a gente já tem um vasto conteúdo que aponta no sentido de que a materialidade pode ser provada de forma indireta", afirmou o delegado Anderson Spier. "A prova disso, inclusive, é a decretação da prisão preventiva do autor, porque a prisão preventiva imprescinde da materialidade." Polícia indicia PM por desaparecimento, morte e ocultação de corpos da ex-mulher e dos pais dela no RS Reprodução/RBS TV O que dizem as defesas Cristiano Domingues Francisco: "A Defesa de Cristiano aguarda o encaminhamento do inquérito, sendo que, pela finalização das investigações, deverá ter acesso amplo e irrestrito a todos os procedimentos cautelares que se encontram em segredo de justiça, possibilitando um posicionamento mais assertivo." Wagner Domingues Francisco: "A Defesa técnica de WAGNER DOMINGUES FRANCISCO, com o senso de responsabilidade que o momento exige, vem a público manifestar-se acerca do Inquérito Policial que apura as circunstâncias envolvendo o desaparecimento da família Aguiar, no município de Cachoeirinha/RS. A Defesa tomou conhecimento, exclusivamente por intermédio da mídia e de coletiva de imprensa, da existência de 37 medidas cautelares, além de buscas, apreensões e indiciamentos, sem que lhe tenha sido assegurado, até o presente momento, acesso aos respectivos expedientes, circunstância que impede o pleno conhecimento das teses investigativas. Importa destacar que as imputações até então divulgadas consistem, neste estágio, em meras hipóteses investigativas, ainda não submetidas ao contraditório, sendo o inquérito policial, por sua natureza, procedimento de caráter unilateral. Reitera-se, por fim, que WAGNER DOMINGUES FRANCISCO sempre esteve, e assim permanecerá, à inteira disposição das autoridades. A Defesa aguarda o acesso integral aos elementos de prova para manifestação oportuna e aprofundada, confiante de que o devido processo legal conduzirá ao pleno esclarecimento dos fatos, com a consequente demonstração de sua inocência e a prevalência da Justiça." Relembre o caso O g1 montou a linha do tempo que detalha os principais acontecimentos da investigação. Confira: Antes do sumiço 2 de janeiro: Silvana Germann de Aguiar solicita, em um grupo de mensagens, o contato do Conselho Tutelar; 9 de janeiro: Silvana comparece ao Conselho Tutelar para registrar que seu ex-marido, o policial militar Cristiano Domingues Francisco, desrespeitava as restrições alimentares do filho do ex-casal. O fim de semana dos desaparecimentos 24 de janeiro (sábado): Silvana é vista pela última vez. Uma publicação em seu perfil nas redes sociais dizia que ela havia sofrido um acidente em Gramado, mas que estava bem. Segundo a polícia, o acidente nunca aconteceu e o objetivo da postagem seria despistar o desaparecimento. Imagens de uma câmera de segurança registraram uma movimentação atípica de veículos na noite de 24 de janeiro: - 20h34: Um carro vermelho entra na residência de Silvana, e sai oito minutos depois; - 21h28: O veículo branco de Silvana entra na garagem da casa; - 23h30: Outro automóvel chega ao local, permanece por 12 minutos e vai embora. 25 de janeiro (domingo): - Alertados por vizinhos sobre a postagem, os pais de Silvana, Isail e Dalmira Aguiar, saem para procurar a filha. O casal de idosos tenta registrar o desaparecimento na delegacia distrital, mas a unidade estava fechada; - Segundo a Polícia Civil, após saírem da delegacia, os idosos seguiram para a residência do ex-genro, Cristiano. Em depoimento prestado inicialmente como testemunha, o policial afirmou que o casal teria pedido ajuda para procurar Silvana, já que ele é policial militar. Ele teria dito que estava preparando o almoço e que auxiliaria mais tarde; - Ainda conforme a investigação, após a visita, os idosos teriam retornado para casa e, horas depois, teriam sido vistos por vizinhos entrando em um carro não identificado, de cor desconhecida. Desde então, não foram mais vistos. Início das investigações 27 e 28 de janeiro: As ocorrências de desaparecimento são registradas formalmente. O ex-marido, Cristiano Domingues Francisco, comunica o sumiço de Silvana, e uma sobrinha, informa à polícia que os idosos também não foram mais vistos; 28 de janeiro: Cristiano comparece ao Conselho Tutelar para pedir que o filho fique sob sua guarda durante as investigações; 1º de fevereiro: Cristiano envia uma foto de dentro da casa dos sogros para uma conhecida, mostrando o veículo do casal; 3 de fevereiro: A polícia ouve seis pessoas, incluindo o ex-marido e sua atual companheira. Um projétil de arma de fogo é encontrado no pátio da casa dos idosos; 4 de fevereiro: A Polícia Civil confirma que trata o caso como crime, descartando sequestro por falta de pedido de resgate. Perícias e prisão 5 de fevereiro: A perícia coleta material na casa de Silvana, encontrando vestígios de sangue no banheiro e na área externa. 7 de fevereiro: O celular de Silvana é localizado após denúncia anônima, escondido sob uma pedra em um terreno baldio próximo à casa dos pais; 9 de fevereiro: Reunião de autoridades confirma que o cartucho encontrado na casa dos idosos é de festim (munição não letal); 10 de fevereiro: - Cristiano Domingues Francisco é preso temporariamente após quebra de sigilo telefônico indicar movimentação suspeita. A reportagem tem acesso a áudios nos quais ele estaria tentando interferir na investigação. - Familiares e amigos realizam um protesto e caminhada em Cachoeirinha pedindo solução para o caso; - O filho de Silvana é encaminhado para a casa dos avós paternos. Em áudio, PM suspeito de matar família no RS pergunta sobre investigação 13 de fevereiro: É divulgado que o suspeito e sua atual companheira se recusaram a fornecer as senhas de seus aparelhos. 20 de fevereiro: - O policial militar prestou depoimento à polícia. De acordo com a defesa, Cristiano ficou em silêncio; - Polícia confirma que o mesmo carro entrou duas vezes na residência de Silvana no dia em que ela desapareceu. Contudo, não foi possível identificar a placa. Assim, não se sabe quem é o proprietário. 24 de fevereiro: A perícia do celular Silvana mostrou que o aparelho nunca esteve em Gramado, diferente do que indicava a publicação feita em 24 de janeiro em suas redes sociais. 24 e 25 de fevereiro: O desaparecimento da família Aguiar completa um mês. Buscas com cães 25 de fevereiro: Silvana é considerada a 20ª vítima de feminicídio no RS em 2026. 26 e 27 de fevereiro: Polícia Civil realiza buscas pelos corpos em áreas de matas e rios próximos a Cachoerinha. 9 de março: Prisão de PM suspeito do desaparecimento é prorrogada por 30 dias. 13 de março: Bombeiros realizam mais trabalhos de busca em áreas rurais da Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes usam cães farejadores. 24 e 25 de março: O desaparecimento da família Aguiar completa dois meses. 9 de abril: Justiça decreta a prisão preventiva do policial militar Cristiano Domingues Francisco. Infográfico mostra sequência de fatos sobre o desaparecimento de três membros da família Aguiar no RS Arte/g1 VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/04/17/familia-aguiar-desaparecida-ha-80-dias-video-mostra-pai-entrando-na-casa-de-filha-minutos-antes-de-sumico.ghtml


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