Crime da Mala: defesa de Ricardo Jardim deve pedir exame de sanidade mental e aponta DNA de outra pessoa após primeira audiência

  • 12/03/2026
(Foto: Reprodução)
Crime da mala: RBS TV estreia documentário sobre bastidores da investigação do caso A Justiça realizou, nesta quarta-feira (11), a primeira audiência de instrução do processo sobre a morte de Brasília Costa, 65 anos, ocorrida em agosto de 2025. O réu é Ricardo Jardim, 66, companheiro da vítima, que está preso desde setembro. Em agosto do ano passado, o publicitário Ricardo Jardim deixou uma mala com o tórax da mulher no guarda-volumes da Rodoviária de Porto Alegre. Outras partes do corpo da vítima foram encontradas em diferentes pontos da capital gaúcha. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp A audiência foi conduzida pela juíza de Direito Cristiane Busatto Zardo, da 4ª Vara do Júri. Ao todo, oito testemunhas arroladas pelo Ministério Público (MP) foram ouvidas, entre elas familiares da vítima, o dono da pensão onde o casal morava e o delegado responsável pela investigação. Os defensores Gabriel Luiz Pinto Seifriz e Tatiana Kosby Boeira questionaram o encontro de um vestígio de DNA de uma terceira pessoa, não identificada, no local do fato. Segundo a defensora, o delegado não soube informar se houve investigação sobre a quem pertenceria esse material genético. De acordo com o delegado André Luiz Freitas, responsável pelo caso, o material genético de um terceiro indivíduo foi encontrado no local do crime, mas "não há qualquer elemento probatório que indique a participação de uma segunda pessoa no crime". "A presença de material genético de uma pessoa em um objeto, por si só, não permite concluir que ela tenha participado do crime investigado, especialmente porque objetos podem ter múltiplos contatos anteriores", afirmou Freitas ao g1. A defesa também informou que vai requerer a abertura de um incidente de insanidade mental. A decisão se baseia no depoimento de uma psicóloga, amiga de infância do réu, que foi a primeira testemunha ouvida. 🔍 A instauração de um incidente de insanidade mental é um procedimento jurídico, previsto nos artigos 149 a 154 do Código de Processo Penal (CPP), que visa apurar, por meio de perícia médica, se o acusado de um crime era incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de se determinar de acordo com esse entendimento, ao tempo da ação, devido à doença mental ou desenvolvimento incompleto. Segundo a defensora, a testemunha trouxe informações sobre o estado psíquico do acusado e sobre uma suposta falha na defesa dele em um processo anterior, quando foi condenado a 28 anos de prisão por matar e concretar o corpo da própria mãe em um armário. "O nosso entendimento é de que é imprescindível que se faça isso agora e a gente vai encaminhar um requerimento para que se faça esse exame, que nunca foi feito. Ele somente fez avaliações para progressão de regime dentro do sistema carcerário, mas a avaliação com médicos psiquiátricos, psiquiatras forenses, nunca foi feita", afirma Tatiana. O Ministério Público, representado pelas promotoras Luciana Cano Casarotto e Luciane Feiten Wingert, deve aditar a denúncia. O aditamento da denúncia é a modificação ou acréscimo de fatos/agentes à peça acusatória original pelo Ministério Público, permitida até a sentença. “A primeira audiência foi um momento de grande emoção para todos os presentes e trouxe à tona detalhes relevantes sobre os crimes. Esses elementos reforçam os termos da denúncia apresentada pelo Ministério Público e, inclusive, podem indicar circunstâncias que agravem os fatos praticados", afirma a promotora Luciana. A mudança pode ocorrer após a chegada dos resultados da quebra de sigilo bancário da vítima, que foram juntados ao processo recentemente. A motivação financeira era uma das linhas de investigação, mas a defesa alega que familiares e amigos afirmaram que Brasília vivia apenas de sua aposentadoria. Primas da vítima, Suzi e Roselene Costa, acompanharam a audiência. "Tudo que se quer é que ele não saia mais da cadeia", afirmou Suzi. Roselene disse acreditar que o caso irá a júri. "Foi muito difícil, vai ter outras audiências, mas acreditamos que vá a júri popular", declarou. A próxima sessão, para ouvir as testemunhas de defesa, está marcada para 18 de março. Relembre o caso O publicitário Ricardo Jardim, suspeito de matar, esquartejar e esconder as partes do corpo de sua namorada em Porto Alegre foi denunciado pelo Ministério Público do RS (MPRS) por oito crimes, incluindo feminicídio, ocultação de cadáver e falsificação de documentos. A Justiça aceitou a denúncia e o suspeito virou réu. Jardim havia sido indiciado pela Polícia Civil no fim de outubro por sete crimes. O MPRS acrescentou à denúncia o crime de vilipêndio de cadáver - que consiste no ato de desrespeitar, ultrajar ou menosprezar um corpo morto. O suspeito está preso preventivamente desde setembro de 2025. A investigação teve início depois que o torso do cadáver foi achado dentro de uma mala em um armário da rodoviária da capital em agosto de 2025. A polícia segue em busca do crânio da mulher. O primeiro descarte de partes do corpo ocorreu em 13 de agosto, em um local ermo, sem movimento ou câmeras de segurança, na Zona Leste da capital. Já o segundo ato foi registrado em 20 de agosto, na rodoviária, um espaço de grande circulação e monitoramento. As pernas foram encontradas em dois trechos diferentes da Zona Sul. O suspeito foi identificado a partir de imagens de uma câmera de segurança do estabelecimento comercial. Em certo momento da gravação, ele é visto abaixando a máscara que usava e que aparecia vestindo no vídeo registrado na rodoviária da capital. O velório de Brasília aconteceu somente em janeiro de 2026, no Cemitério Municipal de Jaguarão, no Sul do RS, cidade onde ela morou durante a infância e a juventude. Brasília Costa Arquivo pessoal Linha do tempo: homem preso após abandonar mala com corpo na rodoviária de Porto Alegre Infográfico/g1 VÍDEOS: Tudo sobre o RS

FONTE: https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2026/03/12/crime-da-mala-defesa-de-ricardo-jardim-deve-pedir-exame-de-sanidade-mental-e-aponta-dna-de-outra-pessoa-apos-primeira-audiencia.ghtml


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